28 de nov de 2014

As boas mulheres da China (XINRAN, 2002)

Por Juciele Fonseca
Hoje falarei sobre o livro As boas mulheres da China*, escrito pela jornalista chinesa Xinran através de entrevistas, cartas e telefonemas que recebia das ouvintes do seu programa de rádio: Palavras na brisa noturna, que se propunha a discutir os problemas e questões cotidianas das mulheres chinesas. O livro é essencial para pessoas que estudam comunicação, gênero e mídia, pois a narrativa intersecciona estes temas e tem, como pano de fundo, as atividades jornalísticas da autora. A narrativa de Xinran esclarece diversos estereótipos construídos pela imprensa ocidental em suas narrativas sobre o poderio econômico, a modernidade e as contradições da China e permite conhecer uma perspectiva de uma pessoa que trabalhou em um órgão de comunicação em período de abertura lenta e gradual da Revolução Cultural.

A mídia chinesa funcionava desde 1949, como porta-voz do regime socialista. O programa de Xinran surgiu para fazer uma sondagem de recepção do programa sobre questões do cotidiano. O direcionamento do programa para questões relacionadas às mulheres ocorreu após a realização de estudos de recepção que apontaram o grande sucesso do programa, especialmente com o público feminino. Após quatro meses do programa na rádio, a jornalista recebe uma carta com a denúncia de uma jovem que está recebendo maus tratos em uma vila no interior e corre risco de vida. A jornalista visita a vila e começa  a perceber que forças, como a do camponês, mantinha os mesmos poderes desde o período feudal até a atual China moderna, e ela começa a repensar o imaginário que tinha construído sobre suas conterrâneas.

As mulheres chinesas entrevistadas por Xinran cresceram com o peso das tradições, décadas de totalitarismo político e repressão sexual, dificultando assim o acesso à intimidade da mulher chinesa. Os relatos no livro mostram a memória de mulheres que passaram por humilhação, abandono, estupros, casamentos forçados, desilusões amorosas, miséria, preconceito e violações. No obra, há relatos de mulheres que foram violentadas pela reeducação promovida pela Revolução Cultural, que tinha como objetivo reeducar membros do Partido mais alinhados com o Ocidente ou com a União Soviética. No livro também conhecemos histórias dolorosas, como a de um grupo de mulheres que fundaram um orfanato após perderem os filhos em um terremoto que destruiu a cidade de Sishuan.

Xinran mudou-se para Londres em 1997, lá, publicou o seu primeiro livro, em entrevista à Veja (aqui) é possível conhecer um pouco mais sobre a autora e suas novas obras literárias. 

* Publicado no Brasil pela Companhia das Letras
Leia mais sobre imprensa chinesa e a relação entre Partido e imprensa internacional aqui, aqui e aqui.  

23 de nov de 2014

Sobre paquera, petições e Idade Média

       Por Aghata Gontijo



        Real Social Dynamics (RSD) é uma empresa norte-americana especializada em serviços de encontros. A companhia não trabalha como uma rede social ou outros sites onde as pessoas encontram parceiros. A Real Social Dynamics oferece cursos de paquera, verdadeiras palestras para quem não consegue se dar tão bem na área afetiva.
        O que, no entanto, trouxe o negócio até às conversas brasileiras foi a possível visita de um dos empregados dessa entidade. Julien Blanc, 25 anos, palestrante e especialista na arte da conquista de mulheres, viria ao Brasil em Janeiro para pregar seus ensinamentos no Rio de Janeiro, Florianópolis e depois por mais 15 países.
        O suíço radicado nos Estados Unidos se deparou com uma situação não tão nova. A possível vinda de Julien levou 400 mil pessoas a assinarem uma petição para que a sua entrada no país fosse barrada. O instrutor tem movimento contra a suas técnicas também no Canadá, Reino Unido e Japão, país que estrelou um dos vídeos mais divulgados entre as pessoas que repudiam seu comportamento.
        Num dos vídeos, Julien dá um curso em São Francisco, onde fala de sua passagem pelo Japão e da forma como “conquistava” as garotas por lá. "Se você é um homem branco, você pode fazer o que quiser" ensina Blanc. Ele ainda exibe imagens onde agarra e força a cabeça de mulheres em direção ao seu pênis.
        Blanc declarou ao canal de notícias norte-americano CNN, que as imagens foram “uma horrível tentativa de humor que foi colocada fora de contexto”, e continua dizendo sentir muito por toda a comoção e pessoas que se sentiram ofendidas com o que ele define como ajudar os homens a “ganhar confiança para socializar com mulheres e talvez ganhar uma relação”.

        O Itamaraty divulgou no dia 13, quinta-feira, que as embaixadas e consulados fora do Brasil podem negar o pedido de visto de Blanc, mas informam que o mesmo ainda não foi feito. A decisão segue dividindo opiniões. Há aqueles que enxergam apenas boa-vontade e imaturidade nas ações de Julien; há aqueles que repugnam os métodos sexistas, machistas e violentos do palestrante. O que prevalece, no entanto, são as 400 mil assinaturas e a sensação de que talvez esses métodos de “paquera” já estejam ultrapassados para o século XXI e quiçá para a Idade Média. 

13 de nov de 2014

O massacre que a grande mídia não quis ver

de Letícia Leal

Foi pelas redes sociais que o Brasil veio a saber, de primeira mão, na manhã da última quarta-feira(05/11), que uma chacina ocorria pela mão da polícia em bairros como Terra Firme, Guamá e Cremação da cidade de Belém, no Pará. No Twitter, moradores dos bairros afetados declaravam clima de desespero e já anunciavam dez mortes que teriam ocorrido durante a madrugada do dia anterior.

O motivo, segundo os próprios responsáveis, teria sido o assassinato do cabo Antonio Figueiredo, da Ronda Ostensiva Tática Metropolitana (Rotam) da Polícia Militar, morto fora de serviço. Eles chegaram a prenunciar o ato terrorista que estavam prestes a realizar na página da própria Rotam paraense no Facebook, além de ter sido compartilhado um áudio pedindo às pessoas nos bairros escolhidos que ficassem em suas casas, pois haveria uma “limpeza na área”.

9 de nov de 2014

A segurança dos jornalistas

de Gabriel Shinohara

No dia 1 de Novembro aconteceram algumas manifestações em várias cidades do Brasil contra o atual e próximo governo da presidente Dilma Rousseff. O protesto em São Paulo, que reuniu cerca de 2.500 pessoas segundo a polícia militar, teve ares de discordância entre os próprios participantes, haviam alguns que defendiam uma intervenção militar e outros que apenas estavam mostrando sua opinião contrária ao governo atual.
Esse protesto foi marcado, não pelo que os protestantes diziam, mas pelo ataque sofrido por dois jornalistas. Gustavo Uribe, da Folha de São Paulo e Ricardo Chapola, do Estado de São Paulo tiveram suas contas nas mídias sociais divulgadas pelo blog Reaconaria em um post em que tinham sua ética profissional posta em dúvida, além de informações pessoais divulgadas. Após terem suas contas no Twitter e no Facebook espalhadas, sofreram ataques pessoais nas redes.

5 de nov de 2014

Pseudo

de Martha Carvalho

Três fotos
Primeira página
Vejo minha vida escrita pelas mentes dos outros
O jornaleiro vomita quando me reconhece
Praga pra lá e pra muitos
- PARE!
Fui longe demais.
Ele aponta, a culpa é minha
De novo.
(Sendo que nunca foi)
A rua me engole
Me bate
Me cospe
Me mata
- Isso é pelas crianças que você estuprou.
Não fui eu.
Mas já foi.




3 de nov de 2014

Manipulação de dados em pesquisas eleitorais da campanha do PSDB para o Planalto

de Eduardo Meirelles e Gabriel Shinohara


Tornou-se notório que o instituto Veritá apresentou estatísticas erronias e manipuladas, em contexto nacional, para favorecer o ex candidato à Presidência da República, Aécio Neves (PSDB). O partido de Aécio realizou uma pesquisa em Minas Gerais, onde supostamente o candidato teria maior número de votos, pelo fato de já ter sido governador e afirmar ter mais de 92% de aprovação. Dado não confirmado pelas eleições do último dia 26.
O partido apresentou ao eleitorado a informação de que o candidato estaria com 14 pontos à frente da candidata Dilma Rousseff (PT), a presidente estaria com 43% e Aécio com 57%. A manipulação e a utilização erronia da estatística foi confirmada pelo próprio dono do instituto Veritá, Adriano Silvoni e o estatistico responsável pelo instituto, Leonard de Assis, que em entrevista, afirmou que o PSDB não poderia utilizar os dados nesse contexto nacional, ''não representa o Estado'', informou Assis.