21 de abr de 2012

Olhar estrangeiro

Por Camila Curado

Na última sexta-feira (20), a reunião do SOS Imprensa apresentou o documentário Olhar Estrangeiro, filme dirigido em 2006 por Lúcia Murat a partir da adaptação do livro O Brasil dos Gringos. Olhar Estrangeiro trata da imagem brasileira no exterior. Por meio dele, é possível perceber que o país ainda é visto como um cenário ideal para a construção de fantasias, idealizadas a partir da realidade local, que os estrangeiros claramente desconhecem.


Lúcia Murat entrevistou atores e diretores que trabalharam em filmes com enredos que se passam no Brasil. Mesmo nas obras feitas por aqui, a maioria deles demonstrou não ter nenhum tipo de conhecimento sobre o país. A partir disto, a imagem nacional é retratada de forma errônea, o que ajuda a disseminar no exterior estereótipos que não correspondem a realidade do povo brasileiro. Assim, os estrangeiros que chegam por aqui têm a impressão de que o Brasil é uma nação de pessoas primitivas, selvagens e entregues ao erotismo.




Assista aqui ao trailer do documentário!

10 de abr de 2012

Mensagens indesejáveis

Por Rosângela Rocha

Para mim, computador é essencialmente um instrumento de trabalho. Por isso, ando preocupada com os e-mails que diariamente aparecem na minha caixa de correio. Como o volume aumenta incessantemente, cada vez perco mais tempo na seleção. É a velha história de separar o joio do trigo.

O inimigo persegue-me diretamente, surgindo não sei de onde para aborrecer-me. Antes de apagar, leio rapidamente a mensagem. Dependendo do conteúdo, emoções negativas instalam-se imediatamente, como perigosas invasoras. Sempre que isso ocorre, sinto-me irritada e às vezes um tanto ofendida.

Divido essas mensagens em duas categorias principais: as que pretendem animar-nos com conteúdos religiosos, de autoajuda e/ou melosos (por exemplo, orações intermináveis, flores que se abrem lentamente, geralmente ao som de música, roubando vários minutos do nosso precioso tempo), e aquelas que, aparentemente, querem beneficiar-nos com avisos, informações e conselhos.

Manipulação no fotojornalismo: a criação do inexistente

Por Camila Curado

A palavra manipulação possui duas conotações distintas. Uma positiva, que se refere à atividade de fazer e construir algo com as mãos, e uma negativa, que significa truque e enganação. No fotojornalismo é prática antiética. Está previsto no Artigo 12 do Código de Ética do Jornalistas Brasileiros: “rejeitar alterações nas imagens captadas que deturpem a realidade, sempre informando ao público o eventual uso de recursos de fotomontagem, edição de imagem, reconstituição de áudio ou quaisquer outras manipulações”.

A busca pelo furo fotográfico, isto é, pelo flagra – captura de uma cena inédita -, agregada à velocidade das informações e à disputa entre fotojornalistas, gera uma grande pressão para o profissional. Isso impede uma reflexão sobre a fotografia e limita o espaço de se pensar acerca da melhor maneira de transmitir determinada mensagem.

5 de abr de 2012

Pesquisa sobre o conteúdo da Bus Tv

Por Johnatan Reis

A cada coisa seu tempo e seu lugar. Ao menos assim era o pensamento da sociedade há algum tempo. Hoje, em contrapartida, ocorre o inverso. A cada coisa todos os lugares em todos os tempos. É a marca dos tempos atuais, conhecido como Pós- Modernidade ou Modernidade Líquida, como diz Bauman.

É nesse contexto que se insere a experiência de televisores nos transportes públicos do Distrito Federal. A chamada Bus Tv leva aos usuários desse transporte, nos horários improdutivos ou mortos, informações. Mas que conteúdo é esse, qual é a seleção desse material, qual é o tratamento recebido e como isso impacta o indivíduo. A receptividade quando em momentos de ócio é diferente. E por fim, qual é a relação do público com essa iniciativa, uma vez que não há para onde fugir, quando a informação está posta e o consumo é obrigatório.

3 de abr de 2012

Manipulação no fotojornalismo

Por Camila Curado

A manipulação na fotografia não é uma novidade que nasceu com a tecnologia digital. Desde a fotografia analógica, o recurso de modificar uma foto retirando ou inserindo algum elemento da imagem é utilizado. O primeiro registro de montagem na fotografia é dado de 1840 e foi muito utilizado como parte da estética dos movimentos do construtivismo russo e do surrealismo. O advento da fotografia digital facilitou o uso dessa ferramenta, tornando-a cada vez mais sutil e comum.

Modificações nos elementos da fotografia podem fazer parte da estética. Contudo, em uma situação onde a informação é o que interessa, a montagem é motivo de muitos questionamentos. Talvez a alteração da cor do céu em uma cena de incêndio ou a retirada de papéis picados do rosto do presidente pareçam não alterar o conteúdo da imagem. Mas seriam modificações necessárias? No contexto em que a fotografia vincula uma notícia, uma manipulação no seu conteúdo, por menor que seja, trás alguma relevância? Até que ponto isso é prejudicial?