27 de nov de 2008

Que universidade você quer? Que jornalismo você espera?

Hoje teve a reunião do Colegiado de Jornalismo para homologar a proposta curricular construída conjuntamente entre professores e alunos. No entanto, ocorreram
mais mudanças que o previsto.

Inicialmente, os professores não queriam a participação de todos alunos nas discussões curriculares, restringindo-nas apenas ao CACOM. Conseguimos - de forma pacífica e através de votação - ampliá-las para todos os alunos da FAC.

Entretanto, essa ampliação não se estendeu às votações, visto que o regimento da FAC prevê apenas UM voto estudantil, por meio do CA, para as três habilitações (publicidade, jornalismo e audiovisual).

Após cerca de três meses de uma discussão que englobou não apenas créditos e disciplinas, mas o ideal de curso que defendemos para uma formação ética e cidadã dos comunicadores, os professores passaram por cima dos acordos feitos anteriormente com os alunos, e aprovaram uma proposta que nega algumas de nossas principais demandas, e instala um curso cada vez mais técnico e medíocre.

Por isso chamamos todos vocês para lutarem conosco pelo direito dos alunos à participação efetiva nas decisões dos departamentos, e por uma nova proposta de jornalismo, que só é possível através de uma mudança na formação acadêmica desses profissionais.

Que universidade você quer? Que jornalismo você espera?

Participe do ato às 9 horas, amanhã (quinta-feira) em frente ao CACOM (final da Ala Norte).

Há braços paritários, comunitários, comunicadores!!
CACOM - Centro Acadêmico de Comunicação Social

12 de nov de 2008

Boa Noite e Boa Sorte

Nessa 5ª feira (13/11) vai rolar mais um cineclube do SOS Imprensa. É o primeiro de um conjunto de filmes sobre mídia e política: “Boa Noite e Boa Sorte” (Good Night, and Good Luck, EUA, 2005) do ator e diretor George Clooney.

Ele conta a história do programa de TV da estadunidense CBS, “See it Now” (Veja Agora), onde o jornalista Edward R. Murrow trava importante batalha pelo direito de expressão, dentro de um dos maiores veículos da grande mídia. O diretor mostra as dificuldades enfrentadas na imprensa quando o assunto é patrocínio, interesses políticos e audiência.

O filme ultrapassa o mero relato dos acontecimentos da década de 50, e pode ainda ser compreendido como uma crítica direta à própria Era Bush. Ele mostra claramente como veículos de comunicação servem muitas vezes enquanto decisivos formadores de opinião, de onde a importância de os comunicadores estarem comprometidos com a transmissão de uma informação objetiva e responsável, sem barreiras ideológicas ou comerciais.

Imperdível! Ao 12h15 na sala 613 da Faculdade de Comunicação (FAC), no final do ICC Norte.

Boa tarde e bom filme!

Ficha técnica:

» Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck, 2005)
» Direção: George Clooney
» Roteiro: George Clooney, Grant Heslov
» Gênero: Drama/Histórico
» Origem: Estados Unidos
» Duração: 93 minutos
» Tipo: Longa
» Site: http://www.goodnightandgoodluck.com/
» Sinopse: Nos anos 50, a queda do político Joseph McCarthy é causada pelos embates entre ele e o âncora da rede CBS Edward R. Murrow. O senador foi responsável pela operação "Caça às Bruxas", que acusava, sem provas, cidadãos americanos a comunistas.

Para uma crítica mais completa, leia mais no Blog d'Urbano.

Acorda, espectador!

Retomando a questão do sensacionalismo na mídia, apresentada no texto E até a próxima tragédia..., da Nathália, e também abordada pelo documentário Ônibus 174, exibido no cineclube, gostaria de ressaltar algumas questões que, freqüentemente, vêm sendo confundidas pelos ditos comunicadores e pelos próprios espectadores. Questões estas que acabam por enfocar de forma negativa o jornalismo investigativo.


O caso da jovem Eloá, seqüestrada e assassinada pelo namorado, Lindemberg, além de, claro, cumprir com a atual função do noticiário policial de chocar o país, nos dá também uma sensação familiar, um certo gostinho de “já te vi”. Além da infeliz recorrência de acontecimentos como esse, o que realmente nos leva ao déjà vu é o tipo de abordagem utilizado pela mídia.


O jornalismo começa a ser confundido com entretimento de mau-gosto. O interesse público perde seu lugar para o interesse do público, que se torna cada vez mais anestesiado e alheio aos reais acontecimentos por trás das telas de TV ou entre as linhas do jornal. Os dramas policiais se tornaram as novelas da família brasileira.

O hábito e o comodismo nos levariam a culpar os meios de comunicação, editores e redatores pela forma como a notícia nos é entregue, mas sinto informar que o jornal, assim como qualquer outra instituição, depende de subsídios para se manter ativo. Os jornalistas continuam trazendo os problemas e injustiças à luz, ou aos holofotes, melhor dizendo, mas o espetáculo só acontece quando se tem platéia para financiá-lo.


Não pretendo, entretanto, desviar a imprudência completamente para os espectadores. Além da questão da dependência financeira, a pressa de se obter uma matéria antes do jornal concorrente também tem piorado a qualidade da notícia. O furo de reportagem não deveria justificar a irresponsabilidade do jornalista.


Apesar da banalização de escândalos e comercialização de tragédias, vale salientar que a imprensa foi e continua sendo uma forma extremamente eficaz de difusão de informação, e que o jornalismo investigativo também tem, teoricamente, um papel muito importante de mobilização social para aflorar a necessidade de mais discussões éticas e a tomada de consciência da população.


Quão maior for a repercussão dos exageros midiáticos, mais a demanda pelo show de horrores é levada em conta e, conseqüentemente, mais sangrentos ficam os programas e matérias. Se a situação continua rumando para a espetacularização dos casos policiais, o que tem de ser questionado não é a origem da culpa ou do problema, mas o conteúdo das notícias que são apresentadas.


Basta citar o caso do repórter investigativo Tim Lopes, cujo trabalho de averiguação de grupos que usavam drogas só caiu em amplo conhecimento após o sumiço de seu corpo. O que despertou a curiosidade pública não foi o jornalismo que ele fazia, mas a tragédia que ocorreu. Se o brasileiro está mesmo tão indignado com essa mídia de desgraças, um bom começo é levantar do conforto da poltrona, sair da segurança da acusação alheia, parar de compactuar com esse mercado de exibicionismo e cobrar a informação, o conteúdo que é seu de direito.

9 de nov de 2008

Complementando o post anterior

Gente,
pela minha total incapacidade não consegui colocar o vídeo do discurso feito por Barack Obama logo após o resultado das eleições. Segue então o link.

http://br.youtube.com/watch?v=Jll5baCAaQU

O mundo por Barack Obama

Esta semana pudemos acompanhar um dos maiores espetáculos destes últimos anos. Em tempo real, vimos a consolidação de uma promessa. Barack Obama, eleito presidente dos Estados Unidos na última terça-feira, fez a maior campanha de todos os tempos. O mundo inteiro o acompanhou durante os últimos 21 meses. Ele soube como ninguém, usar tudo o que a mídia poderia disponibilizar, e usou a Internet como sua maior ferramenta.

Foi surpreendente a força com que a campanha presidencial tomou os meios de comunicação nos últimos meses. Em todos os cantos do mundo, a corrida à Casa Branca se fazia presente, muitas vezes como tema principal, superando as notícias internas de cada país. Na Europa e nos demais cantos do mundo, a eleição se fazia como própria de cada lugar. Aqui no Brasil, ganhou destaque extremo da mídia. Vários jornais impressos fizeram suplementos diários para cobertura da campanha e análises sobre o futuro do mundo. Na TV, o tempo destinado a esta cobertura era enorme, fazendo com que várias pautas nacionais ficassem relegadas a segundo plano, ou até mesmo fossem excluídas. Uma avalanche de informações sobre os candidatos e suas correlações nos acometeu de repente.

Mas este ano foi a Internet que se fez imprescindível. E quem melhor soube usá-la foi Barack Obama. Explorando todos os espaços possíveis e alguns até inéditos, como jogos de corrida online, Obama conseguiu atingir uma parcela da população que até então era considerada como apática às eleições, os jovens. Talvez o apelo à Internet não tenha sido a única razão para essa motivação, mas como certeza ajudou bastante.
Optando por não utilizar verba pública para sua campanha, Obama conseguiu uma arrecadação recorde, de 660 milhões de dólares. E não foram grandes doações. A população doava de US$ 5 a US$ 20. No total foram contabilizados mais de 3,1 milhões de doadores. Esses números refletem sua ampla popularidade. E não só nos Estados Unidos. Ao redor do mundo Barack Obama foi reverenciado. Na Europa, principalmente, ele era o candidato escolhido.

No momento de seu discurso, já como presidente eleito, o mundo inteiro o assistia. Sua família no Quênia, assim como o restante do país parou para ver o filho ilustre. Foi decretado, inclusive, feriado nacional, para comemorar o orgulho do povo africano, do povo irmão do presidente mais poderoso do mundo. Em território americano, todos celebravam a vitória da mudança. O mais novo presidente se tornou a personificação da vontade de romper com a velharia que se impunha na política, e conseqüentemente, nas decisões norte americanas.

Barack Obama chegou para salvar o país, e o mundo. Todos esperam que ele dê soluções para todas as crises que assolam o planeta. Através da ampla adesão da mídia, ele conseguiu vender seu discurso de mudança. Agora, o mundo que o comprou, espera os resultados. Entretanto, o próprio já tenta acalmar os ânimos, e realista (como se mostrou durante a campanha) pede calma. Mas ainda assim, não desiste da esperança. A mesma que fez com que os americanos, apoiados pelo mundo, o elegessem. “E sei que não fizeram isso por mim. Vocês o fizeram porque compreendem a enormidade da tarefa que temos pela frente. Pois enquanto estamos aqui celebrando, sabemos que os desafios que o amanhã nos trará são os maiores de nossas vidas – duas guerras, o planeta em perigo, a pior crise financeira em um século. (...) O caminho à frente será longo. Nossa subida será íngreme. Talvez não consigamos chegar lá em um ano ou mesmo em um mandato. Mas, América, eu nunca estive mais esperançoso do que estou nesta noite de que chegaremos lá.” E mais uma vez, a voz dos EUA fala pelo mundo.

Por Mariana Haubert


7 de nov de 2008

O Cinema do SOS

Ontem foi a estréia do Cineclube do SOS Imprensa. Ele acontecerá todas as quartas e quintas, 12h15 na Faculdade de Comunicação. Dois dias para melhor atender os alunos que tem aula em um deles. A proposta do cineclube é trazer sempre uma discussão que envolva o papel da mídia na sociedade. E após a exibição do filme realizar um debate.

A primeira edição foi um sucesso, muita gente compareceu. O filme, o documentário: Ônibus 174. Queríamos colocar em debate a mídia na cobertuda de violências. Aliás, o debate já estpa lançado com o caso Eloá. E além disso, aproveitar o filme Ultima Parada 174, que está em cartaz.

Pessoalmente gostei muito do documentário, pela forma como tratou o assunto, procurou ouvir muitas pessoas, muitos lados diferentes, desde o BOPE até a família e amigos do sequestrador e vítimas, além de profissionais e estudiosos do assunto. Uma cena que me marcou muito foi a dos "meninos invisíveis" como são tratados os meninos de rua, pedindo dinheiro e fazendo malabarismo nos semáforos. Ninguém olha para eles.

Foi isso que Sandro, o sequestrador, sentiu. Com a mídia no local, ele usou e abusou das câmeras e atenção de todos. Era a hora de ser ouvido.

Fica então a sugestão. Para quem não viu, assista.

3 de nov de 2008

4 de novembro

Amanhã, o povo norte americano elegerá seu novo presidente. E não apenas o povo norte americado, mas todo o mundo espera pelo dia 4. São as eleições mais acompanhadas no Brasil depois de suas próprias. Muitos se interessam mais pela escolha de Obama ou McCain do que a de prefeitos e de seu próprio país.

A mídia não deixa por menos, desde que iniciaram-se as campanhas, a cobertura foi intensa. Na reta final muitos jornais trazem cadernos especiais que tratam apenas dos Estados Unidos, como é o caso do Correio Braziliense. A Folha de São Paulo foi mais longe, lançou hoje um suplemento semanal com reportagens do New York Times. A edição inaugural é dedicada à disputa eleitoral, mas o jornal diz que ela trará futuramente notícias e análises sobre negócios, arte, ciência e tecnologia. Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa, exerga por um lado otimista "Seja qual for o resultado da eleição americana, a crise financeira ensina que o leitor brasileiro deverá estar mais atento ao que acontece nos Estados Unidos daqui para frente. E o New York Times, ainda que num suplemento de seis páginas, é uma boa fonte de informação."

O G1 traz a seguinte manchete: "Analistas prevêem vitória 'esmagadora' de Obama sobre McCain nesta terça" E conta que entre 26 estudiosos da política local, 25 apostam na eleição do democrata.Quase todos acreditam que Obama terá mais de 300 votos dos delegados. No entanto, também adverte que não se deve cantar vitória antes do tempo. Em reportagem na CBN, a mesma expectativa: por mais que Obama lidere as pesquisas, não se pode esquecer o racismo, eles de ser conservadores, muitos declaram que votarão em um cadidato negro, mas não é isso que acontece no final.

Seja como for, a expectativa é grande depois de vários debates, crise financeira, vídeos dos cadidatos se agredindo e até Paris Hilton entrar na jogada. E vamos esperar o resultado das urnas.



Não faço idéia do que é isso, mas me sinto estranhamente atraído