28 de set de 2008

OOPS!

Olá, leitores!
Como o tema "Erros jornalísticos" sempre desperta curiosidade nas pessoas, o post de hoje é a reprodução de uma das categorias da coletânea Erramos da Folha de São Paulo, uma seleção de notas embaraçosas e sugestões para evitá-las. A categoria em questão é sobre gafes cometidas na tentativa de citar alguma passagem bíblica.

ERRAMOS
Heresias
A Bíblia é um livro que muitos citam, mas poucos conhecem. São constantes os erros por desconhecimento ou mesmo por falha da memória. Na dúvida, cheque na própria Bíblia ou em enciclopédias de religião.
CRISTO ENFORCADO
"Diferentemente do que foi publicado no texto 'Artistas 'periféricos' passam despercebidos', à pág. 5-3 da edição de ontem da Ilustrada, Jesus não foi enforcado, mas crucificado, e a frase 'No princípio era o Verbo' está no Novo, não no Velho Testamento." (7.dez.94)
DILÚVIO
"Em alguns exemplares da edição de 30 de março de Esporte, foi informado incorretamente à pág. 4-3 que o personagem bíblico Jó criou a arca que salvou as espécies animais do dilúvio. Foi Noé quem construiu a arca." (6.abr.95)
QUANTAS PRAGAS?
"A reportagem 'Vento abriu o mar Vermelho a Moisés', publicada à pág. 6-18 do caderno Mais! da edição de 7 de junho, mencionava incorretamente 'sete pragas' enviadas por Deus ao Egito. O correto são dez pragas." (18.jun.92)
BEATIFICAÇÃO, CANONIZAÇÃO
"O fundador da organização católica Opus Dei, José Maria Escrivá de Balaguer (*), não será canonizado no dia 17 de maio, como noticiado em 7 de janeiro (Mundo, pág. 2-3). Ele será beatificado, primeiro passo para uma eventual canonização." (24.jan.92) (*) A grafia correta é Josemaría Escrivá de Balaguer.
ORIGEM DO HOMEM E DA MULHER
"Diferentemente do que foi publicado no artigo 'Divina autocrítica' (Opinião, 2/1, pág. 1-2), a Bíblia relata que o homem foi criado primeiro por Deus, e não a mulher. No mesmo texto, o autor escreve que o homem teria sido criado a partir de uma costela. Segundo a Bíblia, o homem foi criado a partir de uma porção de barro, e a mulher, a partir de uma costela." (7.jan.00)
Então, leitores, errar jornalisticamente ainda é humano?
DICA DE FILME: O preço de uma verdade (Shattered Glass, 2003) conta a história do jornalista Stephen Glass, que inventava grande parte de suas matérias. O caso teve notável repercussão mundial, grande escândalo nos EUA.
Nayara Güércio

23 de set de 2008

Delícias de Imprensa

Em um mundo em que Xuxa é rainha, Roberto Carlos é rei e Galvão Bueno nasceu com cordas vocais, pode-se esperar de tudo. TUDO pode acontecer, inclusive NADA. E justamente NADA nos é passado em algumas matérias jornalísticas que temos o "deleite" de ver por aí. Citar exemplos? Claro, leitor. Isso me será prazeroso (...Ou será-me prazeroso... ou...ou...).


Delícias de imprensa
  1. De um grande jornal, no domingo: o jornal "procurou ontem" a firma, "por meio do telefone da assessoria que consta do site da empresa, mas não conseguiu ouvir a companhia". Ontem, para um jornal de domingo, significa sábado. E desde quando é possível encontrar algum funcionário de alto nível numa empresa, num sábado?
  2. Também num grande jornal, a respeito do advogado Roberto Bertholdo, acusado de irregularidades: "Bertholdo está detido e não foi localizado".
  3. Outro grande jornal, legenda da foto da Galeria Pagé, em São Paulo, famosa pela venda de produtos, digamos, paraguaios: "A fachada colorida do prédio da Galeria Pagé, no Centro". Segue-se uma foto em preto e branco.
  4. Título de um portal de internet: "Acnur corta metade do orçamento em Darfur devido a insegurança". O leitor que decifrar a charada ganha uma gravação do Roberto Jefferson cantando Nervos de Aço. Traduziu? Não? Então vai lá: Acnur é Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. Darfur é a região do Sudão onde milícias árabes massacram cidadãos negros, em nome da "limpeza étnica" – novo nome daquilo que, antigamente, se chamava genocídio.

(Fonte: "O observatório da imprensa" por Carlos Brickmann)

É.... Se no congresso tem pizza, quem disse que na imprensa também não pode ter...delícias?

Que gostoso, não?!!

DICA DE FILME: Bom dia Vietnã (Good Morning Vietnam, 1987). Filme Estrelado por Robin Williams conta a história de um irreverente DJ que, recrutado para comandar programa de rádio das Forças Armadas dos EUA no Vietnã, enfurece oficiais.

Nayara Güércio

Além das águas quentes

Caldas Novas. Onde muitos brasilienses vão passar suas férias ou final de semana. Lugar onde velhinhos encontram sua morada, tranquila e com águas quentes. Lugar onde todo mundo é parente de todo mundo ou pelo menos sabe quem é da família de quem.

Onde o sorveteiro é parente da vereadora, o prefeito apóia um candidato chamado Magal. Magal anuncia festa em puteiro. O puteiro se chama Kelly Empreendimentos. Os policiais conhecem Kelly e afirmam que ser cafetina não é crime. A outra candidata é dona do enorme hotel "Di Roma" e acusa Magal de cheirar cocaína, oferecendo parte de seus bens caso seja provado o contrário. Uma cidade que no período de um mendato teve cinco prefeitos. Mesmo assim as passeatas lotam e cheios de esperança, adultos e crianças abanam banderinhas. Eles ainda correm sem cansar atrás de carros de som que passam quase na velocidade da luz com candidatos em cima. O canditado adptou um funk para a campanha. O funk não saiu da cabeça ao menos das pessoas que estavam comigo. Obejetivo cumprido.


Em uma cidade como esta, dois jornais circulam diariamente. Um deles, o CNN, Caldas Novas Notícias, circula apenas um dia após seu suposto fechamento. Ou seja, o jornal de quinta circula na sexta. Com duas folhas, ele dá informes e notícias rápidas e coloca muitas fotos de festas e anúncios. Claro que Kelly Empreendimentos está presente, não apenas nos anúncios, como nas fotos de suas festas. A dona de uma pousada diz: "Tem como ficar informada por aqui? Ainda bem que existe a Internet".


Em três dias, vimos e ouvimos muita coisa, a maioria da boca do povo, que sabe de tudo que se passa naquele lugar. Muitos tem medo de falar dos ricos, que mapeam a cidade com suas propriedades. Mas sempre sabem de tudo. Bom ser uma cidade pequena, assim eles podem conversar, fofocar, se informar e não depender tanto dos veículos de comunicação. Inacreditável é o fato de existir gente como um senhor que encontramos em uma lanchonete, senhor Richter, que comprou nosso jornal, e ainda por R$1,oo. É a vontade de saber e a esperança de ser aquela uma publicação melhor.


20 de set de 2008

Imparcialidade?

Olá, pessoal. Inaugurando minha humilde participação no BLOG, reproduzo abaixo um artigo que encontrei por aí, sobre o recente "escândalo" envolvendo a Revista Veja, da editora Abril, e a viúva do educador Paulo Freire:

“Na edição de 20 de agosto, a revista Veja publicou a reportagem ‘O que estão ensinando a ele?’. De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira, ela foi baseada em pesquisa sobre a qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:

“ Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado".

Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofo Roberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigo publicado na Folha, em 1990, cujo título é Ceausescu no Ibirapuera. Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática de agredir sem assumir. Na época Paulo, era secretário de Educação da prefeita Luiza Erundina.

Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:


"Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE -- e um dos maiores de toda a história da humanidade --, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do "filósofo" e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou - que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu "Norte" e "Bíblia", esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire".

Acredito eu que o texto acima abre mais uma vez a discussão importantíssima sobre imparcialidade e ética jornalística. Agora é com vocês.

18 de set de 2008

Mas... O que seria jornalismo pra você?

Estreiando minha vida útil pelo blog, achei legal pegar algumas frases de jornalistas, estudiosos, interessados, curiosos, 'nada a ve[s]' e afins que tentaram definir o nosso bom e (muito) velho jornalismo.
Segue as frases e seus respectivos comentários devidamente, ou não, elaborados por mim.

Alckmin, José Maria:
"O que importa não é o fato, é a versão." >> ??? by "Nada a ver"


Anônimo:
"Quando um jornalista quer se suicidar, sobe em seu próprio ego e se atira lá de cima (há uma versão com publicitários...)" >> Toma papudo!

Alzugaray, Domingo:
"Alguém: Tenho uma idéia inédita, que nunca ninguém fez em todo o mundo.
Alzugaray: Não interessa. Se ninguém fez, não sou eu quem vai fazer." >> Porque nada se cria...

Beaverbrook, Barão ( magnata inglês, Lord ): "Jornalismo é tudo aquilo que consigo enfiar entre um anúncio e outro."

Bismark, Otto: "Jornalista é um homem que errou de profissão." >> Porque nem todo mundo nasce príncipe.

Bogart, John: "Quando um cachorro morde um homem, isso não interessa, porque acontece com freqüência. Mas se um homem morder um cachorro, o fato torna-se notícia."

Logo...

Douglas, Kirk (em "A montanha dos sete abutres"): "Se não houver notícias, vou lá fora e mordo um cachorro." >> http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL689133-5598,00.html

Vargas, Getúlio: "A Imprensa não ganha eleição. Mas ajuda a perder." >> Roseana Sarney está de acordo.

Veríssimo, L. Fernando: "Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data. >> Qual o problema com os Classificados?

Wainer,Samuel: "Se você fizer um curso (de datilografia) é capaz de deixar o jornal para ganhar mais como datilógrafo."

Wilde, Oscar: "O jornalismo moderno tem uma coisa ao seu favor: ao nos oferecer a a opinião dos deseducados, ele nos mantém em dia com a ignorância da comunidade. " >> Aaaaaaaaai

Kraus, Karl: "O que a sífilis poupou será devastado pela imprensa." >>Medo!

Liebling, A. J.: "As pessoas não param de confundir com notícias o que lêem nos jornais"

***E vcs, galera S.O.S.ana e admiradores, o que têm a dizer sobre o jornalismo?!
Façam desse espaço realmente interativoo!

Nathália da Cruz

14 de set de 2008

Uma breve reflexão sobre valor-notícia

Antes de mais nada
Segundo o “Manual do Foca”, valor-notícia é “o mais forte fator que torna a notícia interessante”. E o que realmente interessa ao leitor? “Aquilo que aguça a inteligência (...), instiga a curiosidade dele, provoca-lhe emoções e estimula-o a pensar”.

Antes de mais nada II

Há dias eu não abria uma revista ou jornal ou assistia um telejornal (não me orgulho disso!)

Antes de
Postar aqui, na semana passada, eu resolvi me informar! Mas da pior maneira possível e do pior conteúdo possível (divertido, mas supérfluo): lendo Caras em um salão de beleza. Eis que eu leio o que provocou a escritura desse post:
“Famosos comem queijo coalho na praia”

...mais nada!

Isabela Horta, vulga Bela

12 de set de 2008

A vírgula

A vírgula


A vírgula pode ser uma pausa… ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutandopara que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

http://br.youtube.com/watch?v=JxJrS6augu0&eurl=http://www.pcforum.com.br/cgi/yabb/YaBB.cgi?num=1210793035
Esse é o link do vídeo com o Matheus Natchergaele narrando.

Campanha dos 100 anos da Associação Brasileira de Imprensa.

11 de set de 2008

Sucesso certo

Já que estamos em clima de eleições em todo o Brasil, menos na capital federal.
Já que a vitória foi das fichas sujas. Já que todos os babados de cadidatos estão em alta na mídia. Já que boa parte dos jornais reserva muitas das folhas para discorrer sobre campanhas.
Coloco aqui a tirinha que saiu nesse mês na revista Piauí.
Estão todos os segredos para uma boa campanha.
Vejamos, Roriz conseguiu, Garotinho conseguiu e Lula conseguiu.
É fato, só seguir a agenda:






10 de set de 2008

Nossos heróis distantes

Ele nasceu com má-formação congênita nos dois braços e na perna direita. Até meados de seus dezesseis anos nunca havia cogitado ser um atleta, e hoje é o maior medalista brasileiro nesta edição dos Jogos Paraolímpicos. Falo de Daniel Dias, atleta brasileiro que já conquistou três medalhas de ouro nestes jogos e hoje pela manhã conquistou sua primeira prata.

Daniel começou no esporte incentivado por seu pai, que acreditava ser este o caminho para integrá-lo melhor à sociedade e dar mais ânimo para que ele enfrentasse as dificuldades do dia-a-dia. O nadador começou seus treinamentos na Associação Desportiva para Deficientes (ADD), em São Paulo. Depois passou a representar a Associação para Integração Esportiva do Deficiente Físico (CIEDEF), em Bragança Paulista há uma hora e meia de sua casa que ele percorria todos os dias de ônibus. Seu início de carreira já foi marcado por vitórias importantes. Hoje, aos 20 anos ele realiza seu sonho maior nas Olímpiadas.

Escrevo sobre ele aqui para mostrar minha admiração por alguém que teria todos os motivos para desistir de tudo, mas que resolveu lutar com garra até o fim, e chegar onde chegou. Escrevo também para questionar o porque não é dado tanta atenção a ele, e aos outros atletas, dos Jogos Paraolímpicos na mídia. Tanto na tv (um pouco mais) quanto nos jornais, os atletas são apenas citados, para não passar em branco (essa é a minha impressão). O problema não está somente no escasso espaço utilizado, mas também na forma como se produzem essas notícias, que na maioria das vezes são pequenos informes, sem uma análise maior e mais consistente. Cadê aquela cobertura pomposa que se fez há pouco tempo? Eles não merecem a mesma atenção e espaço na mídia? O Brasil está hoje em sétimo lugar no quadro de medalhas, ou seja, estamos sendo muito melhor representados por eles. Não desmerecendo, é claro, os atletas da primeira competição.
As Paraolimpíadas sempre foram consideradas como um evento secundário dos Jogos. Desde seu início em 1960, nas Olimpíadas de Roma, os Jogos Paraolímpicos ficam em segundo plano. Mas porque não dar mais tempo no jornal? Porque não fazer mais entrevistas? Acredito que eles tenham histórias fantásticas de vida e superação, que talvez servissem para nos dar mais ânimo, mais coragem frente a todos os nossos problemas cotidianos. E não só isso, um maior enfoque sobre esses atletas serviria também para ajudar a acabar com preconceitos que eles e todos os demais deficientes do nosso país sofrem diariamente.

Deixo aqui esta minha inquietação frente a cobertura desses Jogos, que possuem heróis de verdade, que ultrapassam todas as barreiras, iclusive as suas próprias limitações.

Daniel Dias comemora sua primeira medalha de ouro na prova dos 100m livre, categoria S5, com o tempo de 1m11s05, no dia 07. "Vou poder escutar o hino nacional no dia 7 de setembro, mesmo na China.", disse todo orgulhoso.


Texto por Mariana Haubert, uma das "veteranas" do SOS Imprensa, 4º semestre de Jornalismo na UnB.

8 de set de 2008

Se você ama uns...

Olá, meu nome é Thiago Dutra Vilela. Estou cursando, na Universidade de Brasília, o curso de Jornalismo - o qual já cursei, durante 1 semestre, na Universidade Federal Fluminense. Também faço parte de uma Brigada de Agitação e Propaganda do Rio de Janeiro e, nesse momento, estou começando a participar do SOS Imprensa.
Estou aqui para abrir uma discussão que compreendo como essencial para esse blog e, de maneira geral, para toda a sociedade.  

Se os porcos são ainda mais inteligentes e as vacas ainda mais afetuosas do que os cães (e olhe que geralmente os cães são muito inteligentes e muito afetuosos), e se constatamos que a maioria da população brasileira não comeria um cão, por que comemos esses animais?
Na China, por exemplo, até pouco tempo atrás o cão era um prato comum para a população. Na Índia, matar uma vaca é crime assim como matar uma pessoa (acho que é até mais grave).
Comer carne animal, então, é uma atitude 'normal' ou socialmente construída? Será que precisamos mesmo dela para sobreviver?
Vacas, porcos e cabras são criados em unidades pecuárias onde não há a mínima consideração pelas suas necessidades mais básicas; o transporte é cruel e, içados por uma corrente que os puxa por uma das patas traseiras, estes animais são degolados, enquanto agonizam numa morte horrível.
Frangos e perus mantidos em aviários sobrelotados onde são levados à loucura pelo inferno em que vivem, vêem os seus bicos cortados, sem anestesia. Peixes arrastados repentinamente por redes de pesca sofrem o impacto de uma descompressão tão violenta e imediata, que é comum lhes saltarem os olhos das órbitas. E, não, os peixes não são vegetais.
Além desse aspecto cruel, há ainda mais. O consumo de carne bovina é causador de poluição da água, aquecimento global e consumo de bilhões de toneladas de vegetais - que poderiam alimentar a população que hoje passa fome.
Biologicamente, o ser humano não precisa de carne. Nós já evoluímos a tal ponto que sabemos exatamente quais plantas devemos consumir para preencher nossas necessidades de vitaminas, proteínas e minerais. Não precisamos que o animal faça isso pela gente.

Dito tudo isso, não faz o menor sentido nenhum argumento a favor do consumo de carne. Pois é um argumento usado para sacrificar uma vida. Vamos continuar sendo cúmplices desse crime?

6 de set de 2008

Jornalistas no Cinema

Olá, leitores.
Meu nome é Nayara Güércio e estou cursando, dentro da faculdade de Comunicação Social, a habilitação "Audiovisual" na Universidade de Brasília. Mas sou também, com muito orgulho, aspirante a jornalista do grupo SOS Imprensa. Para que vocês me conheçam um pouco melhor, em minhas postagens sempre deixarei dicas de filmes relacionados a media, ao jornalismo e/ou a comunicação em geral.
Para abrir com chave de ouro, deixo aqui uma passagem do livro “Os jornalistas, os jornais e outras mídias no cinema” do professor da UFP, Cláudio Cardoso de Paiva.
Na passagem abaixo, o professor aborda diferentes formas de como o jornalista vem sendo retratado no cinema citando alguns exemplos que, na minha opinião, são de grande valor aos leitores curiosos e, acima de tudo, aos leitores que almejam seguir a excitante carreira jornalística.

“Há uma diversidade de filmes em que os
jornalistas aparecem como heróis do liberalismo
e guardiões do sistema republicano,
como em Todos os homens do Presidente
(Alan Pakula, 1976), uma representação bem
cuidada do caso Watergate.
Apologeticamente, surge o profissional
engajado e combatente em Reds (Warren Batty, 1981),
sobre a revolução russa e O ano em que
vivemos em perigo (Peter Weir,
1983), sobre o genocídio na Indonésia em
1965. Mais discreto é Ausência de malícia
(Sidney Pollack, 1981, com Paul Newman,
Sally Field), interessante na maneira
como lida com a questão do respeito e fidelidade
entre o jornalista e a sua fonte. E
a imagem da repórter politicamente correta
se mostra no filme O dossiê Pelicano (Alan
Pakula, 1993, com Julia Roberts). Há um
contingente significativo de filmes densos e
com forte carga dramática, que se distinguem
pelo enfoque, reconhecendo a elevação
moral dos correspondentes de guerra,
como Os gritos do silêncio (Rolland Joffé,
1984), sobre o genocídio no Camboja em
1975, e Salvador, o martírio de um povo
(Oliver Stone, 1986).
Igualmente, há realizações extravagantes
que fazem exposição da figura dos jornalistas
por meio dos recursos sensacionais e espetaculares,
tais como Um dia de cão (Sidney
Lumet, 1975, com Al Pacino e Chris Sarandon),
em que a imprensa televisiva torna
o público cúmplice de um assaltante atrapalhado,
engajado num roubo para pagar a operação
transsexual do seu companheiro.
Em O todo poderoso (de Tom Shadyac, 2003,
com Jim Carrey e Morgan Freeman) um
jornalista desempregado encarna o próprio
Deus e logo, irá manipular a tudo e a todos
usando os poderes sobrenaturais.
Entrevista com vampiro (Neil Jordan, 1994;
adaptação do livro de Anne Rice) mostra um repórter
ansioso por se tornar vampiro, em adquirir
poder e longevidade. E, enfim a película
O povo contra Larry Flint (Milos Forman,
1996, com Woody Harrelson e Courtney
Love) mostra os transtornos na vida e na carreira
do dono de uma revista prestigiada
do mundo pornô.”
E por que não começar já com água na boca?

4 de set de 2008

Pausa para reflexão

“A televisão regida pelo índice de audiência contribui para exercer sobre o consumidor supostamente livre e esclarecido as pressões do mercado, que não tem nada da expressão democrática de uma opinião coletiva esclarecida, racional, de uma razão pública, como querem fazer os demagogos cínicos.” (BOURDIEU, 1997, p. 96).


Afinal de contas, o índice de audiência é um mecanismo de participação popular na elaboração da programação televisiva, ou apenas corrobora com um discurso participativo vazio?
Trocando em miúdos, até onde a população tem poder sobre a programação das grandes emissoras, se é que o tem? Até que ponto é válido o discurso de que só ficam no ar os programas de interesse e gosto públicos? Será que os programas de grande audiência são, só por conta disso, “democráticos”?
No momento, não há nenhuma verdade sobre o assunto, apenas opiniões particulares. A propósito, qual é a sua opinião?

1 de set de 2008

SOS Interativo está de volta!

Olá, caros leitores. O blog SOS INTERATIVO está de volta: mais moderno, com novos participantes e outros temas para debate. Ele não perde, porém, a sua função original de promover a formação ética de futuros profissionais da Comunicação Social. Você, sendo ou não participante desse meio, pode participar das novas discussões e idéias que aqui serão apresentadas.

O SOS Imprensa surgiu em 1996, como projeto de extensão da Faculdade de Comunicação da UnB. A partir daí, alunos de diferentes semestres do curso de Comunicação sob a orientação dos professores Luiz Martins da Silva e Fernando Paulino, realizam diversas atividades com a finalidade de levar o debate da crítica da mídia para a sociedade, com a elaboração de programas televisivos quinzenais na TV Cidade Livre (www.tvcomunitariadf.com.br) e a disponibilização de artigos, clippings e notícias relacionadas a questões éticas no site do projeto (www.unb.br/fac/sos).

Segundo o ex-estudante Aerton Guimarães, “participar do SOS Imprensa foi uma experiência de extrema relevância para a formação enquanto jornalista. A relação com os demais colegas, as discussões, debates e eventos promovidos foi muito positiva”. O ex-bolsista do projeto SOS ainda diz que pôde desenvolver um olhar mais crítico sobre a imprensa, e que isso foi de grande importância para sua carreira profissional. Hoje ele é repórter do Correio Braziliense.

Um cidadão que hoje vai a uma banca de jornal procurar novas notícias sobre seu país ou sobre o mundo, pode se sentir aturdido pela grande quantidade de informações que se apresentam diante dele. Que jornal escolher? Em quais das perspectivas apresentadas pelos meios de comunicação o membro da sociedade deve acreditar? Como discernir o fato da especulação? Este blog, além de tantas outras funções, visa a incitar a reflexão sobre as notícias veiculadas pela imprensa.

Hoje, o SOS IMPRENSA funciona com seu site (www.unb.br/fac/sos), com este blog e com participações quinzenais na TV COMUNITÁRIA, sempre nas sextas-feiras.